sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Não é rosa chiclete, é vermelho ferida exposta, que sangra e dói.

 

   Desde sempre soube que ser mulher dói, dores de todas as formas e tamanhos. As que escolhemos ou nos habituamos e aceitamos até com certa alegria, como a depilação, o soutien, o salto alto, a dieta, as torturas (ops!) tratamentos estéticos, o parto.  Que talvez seja a única que valha a pena, mas nem ela é sempre uma decisão exclusivamente feminina. `As vezes também é imposta.
   Mas existem aquelas dores a que infelizmente não podemos evitar. Essas são as que doem mais, não são aparentes, mas suas cicatrizes estão lá, na alma. Algumas muito antigas, outras recentes, e vez por outra rompem e sangram novamente.
   Elas começam cedo, naquela brincadeira que a gente não pode participar porque é coisa de moleque, no jeito certo de sentar porque menina tem de ter modos e os meninos não podem ver sua calcinha, no seu cabelo que não pode despentear e no vestido que não pode sujar porque você tem de ser a bonequinha da mamãe que tem jeito de mocinha. Aquele palavrão que você não pode gritar na hora da raiva porque aquilo não sai de boca de princesa, e por aí vai. E aos poucos você é ensinada que ser quem é não é bom, que ter vontades não pode. E aprende a aceitar o rosa, a ser fadinha e a continuar aceitando. Aceita que dói menos?! Não, aceita agora que lá pra frente vai continuar tendo de aceitar e vai doer mais, só que aí você já dominará a arte de aceitar que é assim mesmo. E de que é melhor aceitar em silêncio e com um sorriso nos lábios.
   Chegando lá você aceita que pode fazer o trabalho que homens fazem por um salário menor,  que se você não tem um macho não tem valor, e que se você aceitar sem reclamar é mais fácil alguém te querer, e que se ele não te quiser mais, ou te tratar mal, ou te trair, a culpa é sua, o defeito é seu e a errada é sempre você. Que se ele te bateu a culpa é sua, se foi estuprada é porque provocou… Que mulher só é respeitada quando está acompanhada de um homem. Se te assediam acompanhada pedem desculpa a ele, claro. O respeito não é por e nem para você, é pelo seu acompanhante. Afinal, mulher é coisa, então o respeito é pela posse dele, não pelo seu espaço, pela sua pessoa. É por cobiçarem uma coisa que tem dono e que não se havia notado…
   Uma mulher que está só é uma coisa sem dono, e como não tem dono, quem quiser pega. Foi essa a dor que me doeu hoje com força na alma. A dor de ser rebaixada ao status de objeto, uma coisa sem dono que anda sozinha por aí, de não ter direito a ter vontades, a escolher se quero ou não compartilhar uma atitude íntima (Íntima? Com um estranho?!). Ainda tenho de ficar feliz pois não fui estuprada, foi só um homem exercendo seu direito de usar uma coisa sem dono da maneira que desejava, que apenas a queria beijar…
   Parece absurdo nos nossos dias? Parece que a conta não fecha e que há alguma variável estranha nessa matemática que não foi revelada e que justifica o resultado?
   Então, vamos lá `a adição. Adição de desgosto ao meu dia, de mais uma cicatriz a me recordar minha condição e a condição lamentável do mundo onde vivemos…
   O primeiro número nessa soma infeliz sou eu, uma mulher de 41 anos, caminhando pelo centro comercial da cidade, conhecido como o calçadão de Santo André. As variáveis : meus quilos a mais, um vestidinho mamita style soltinho e que cobria até os joelhos, cabelos longos e soltos, uma lista mental de tarefas a cumprir naquele perímetro.
   O que justifica o segundo número nessa quase soma indesejada, em algo que era para ser apenas uma saída rápida para resolver coisas do dia a dia de uma jovem senhora casada?
   A balada para onde fui? As pernas que pouco se revelavam no vestido mid que poderia ser de uma gestante? O batom vermelho que não coloria meus lábios? O decote que não se fazia presente? O comportamento exageradamente provocante de uma dona de casa buscando pelas lojas de cama, mesa e banho? Todas as coisas que aquele infeliz que saiu repentinamente de uma loja e me pegou sorrateiramente pelo braço quando eu apenas tive o desprazer de passar sem sua frente, sequer saberá a meu respeito?! 
   Doeu na alma depois de tudo ter de escutar que ele só queria me beijar, não me tirar um pedaço.Coitado! Como fui injusta! Ainda me dói na alma saber que esse imbecil cuja cara não me lembro, porém que espero se recorde enquanto viver da bofetada que nela levou e da razão de a ter levado, tem direito de andar em paz na rua e eu não. Dói na alma saber que como ele existem tantos outros que acham que podem se aproveitar da fragilidade, ou distração, ou apenas da ausência de um semelhante a nos acompanhar, para tomar a força uma coisa que não tem dono como se isso fosse natural, e como se realmente nós mulheres fossemos coisas. Dói na alma ver que ao redor ninguém se movimenta, defende ou acolhe uma mulher assediada. Nessa hora, no meio de uma multidão como foi comigo hoje, não há ninguém. Ou há apenas uma legião de seres concomitantemente cegos, surdos e mudos cuidando das próprias vidas. Que nem uma mulher se colocou em meu lugar, tanto menos em meu auxílio. Dói na alma ver que não há policiamento ou justiça que nos proteja desse tipo de desamparo. E dói mais ainda saber que não fui a primeira e nem serei a última a passar por essa dor e que sabe-se lá quantas vezes ainda a encontrarei por meu caminho. Dói na alma saber que haveria quem pense que de fato eu não merecia, porque me conhece e sabe que eu me dou ao respeito e não ando semi nua por aí e nem saio sensualizando. Dói porque esse não é o ponto, o ponto é que mulher nenhuma tem que se dar ao respeito, o respeito é que tem de ser dado a ela, sempre!
   Ainda que eu estivesse na balada, isso não daria a sr ninguém o direito de se aproximar se impondo, me pegar pelo braço violentamente e tentar se aproximar ainda mais a para concluir seu intento. Estivesse eu de mini saia, ele poderia? Não! De batom vermelho? Não! De decote? Não! Dançando ou me movimentando de formal sensual? Não! Embriagada? Não! Ainda que eu andasse nua pela rua, ninguém tem o direito de me tocar sem a minha permissão! Ninguém tem o direito de invadir o espaço, o corpo, a vida de ninguém!
     Esse é o ponto onde não cabe reticências, assunto onde não cabe vírgulas e nem mas mas.
   Felizmente me defendi, como pude, como meu instinto de defesa permitiu, o mais rápido que conseguiu. Unhei, bati, intimidei, fui bicho. Me dói pensar quantas de nós pegas de surpresa não conseguem se defender, ficam atônitas e assim o predador tem êxito. Dói.
   Eu não aceito bem o cor de rosa, ele me parece a cor do sangue abrandado pelas lágrimas que choramos tantas vezes em silêncio, eu não aceito esse rosa. Prefiro o vermelho do sangue que me corre nas veias, me sobe `a cabeça e não me permite que a abaixe diante dessas situações. Mulher é bicho poderoso, não esquisito, todo mês sangra e disso não morre. Sangra e segue, e vai em frente apesar das cicatrizes inevitáveis.
   São tantas as dores, as cicatrizes, talvez as minhas sejam menores que as suas…Todas as temos, que tal que todas nos tenhamos também, já que a sua história carrega um pouco da minha, a minha um pouco da sua? Que sejamos umas pelas outras, em defesa umas das outras, para que possamos escolher. Ao invés de cicatrizes de dor, possamos escolher as cores das tintas com que tatuaremos em nossas vidas, em nosso mundo as nossas conquistas.
 

Imagem de Yung Lin Cheng

Mais imagens aqui:  https://www.flickr.com/photos/3cm/15034983941/in/album-72157647366324752/


terça-feira, 14 de abril de 2015

Os porquês e o por...



Uma palavra ecoando já há quase doze horas em meus ouvidos: "ponhar".
Respeito muito a gente simples que não teve oportunidade de estudar, que viveu ou vive na roça. Não debocho.
Na realidade, não debochei hoje também quando a ouvi, fiquei foi é triste. Ouvi da minha nova estagiária, estudante de pedagogia, futura educadora... Uma jovem senhora, tentando melhorar de vida. Não debocho, respeito, fico sem saber como ajudá-la sem ser ofensiva.
Repeti a palavra de maneira correta numa frase com mesmo contexto e de novo ela repetiu a palavra errada... Suspirei...
E nem sei se quero pensar no futuro, dela, dos futuros alunos, da educação...
Não é culpa dela, mas o que está se reproduzindo é lamentável, fomenta um empobrecimento cultural sem proporções.
Sigo fazendo minha parte e refletindo, mesmo com medo dos resultados futuros, esmo sem querer o cenário que se pinta em frente aos meus olhos. Quem não é cego vê, fazer o quê?! (suspiro)

domingo, 17 de agosto de 2014

Se não tiver "mais amor, por favor", pelo menos que tenha mais coerência, pq haja paciência...

17 de agosto de 2014 às 17:42
Não sigo uma religião, mas tenho meu senso de sagrado e procuro ter coerência com aquilo que sinto, vivo e acredito. Não é convencional e talvez você não entenda e não concorde, para mim não tem nenhum problema. Eu vivo bem com isso, não me incomodo, minha vida segue minha apesar da sua opinião (que na prática nem conta... :P ) apenas exijo respeito. Não aponte seu dedo para mim, se o fizer, não espere flores. :)

Gastei alguns minutos na tentativa de que você que se calca na Bíblia, SEU livro sagrado, também possa ter alguma. É de graça, e só faz bem. Nem precisa agradecer. ;)

Sabe, estou cansada de ver gente que até tem boa intenção, que até parece não fazer por mal, que diz querer seguir o caminho do deus a que diz servir, mas que se esquece da palavra que prega... Ou não a conhece, ou a ignora quando conveniente. Não sei em qual deles você se inclui, ou se não se inclui em nenhum, não me importa e eu não estou julgando ninguém. Nem tem como saber quem leu isso aqui ou não... É só minha tentativa em ser útil.

Então, vamos ao que interessa, logo aí abaixo o próprio livro diz, é só se lembrar antes de julgar um(a) homossexual, ou qualquer pessoa de orientação ou comportamento sexual diferente do seu, religião, crença, seita ou coisa que o valha, diferente da sua, um ateu, qualquer minoria ou grupo a que você não compreenda bem ou não pertença...

A mim basta o fato de que somos todos seres humanos, autonomos, não somos mercadoria e propriedade. Me basta saber que só minha vida é minha e que a dos outros não é da minha conta e que meu modo de vida é ótimo, mas apenas e tão somente para mim, que como os demais, não sou igual a mais ninguém. Mas, para quem isso não basta, está escrito na Bíblia, que é tão importante para você. :)

Não, eu não estou ironizando, nem julgando, nem apontando a ninguém, não citei nomes, não quero inferiorzar ninguém e nem me engrandecer com isso, tampouco desfazer amizades. Estou somente fazendo um lembrete, principalmente de que somos humanos, falíveis e sobretudo, diferentes. Nem melhores, nem piores, mas, diversos, e particularmente é o que mais aprecio na humanidade. E já é trabalhoso dar conta cada qual da nossa vida, qual a razão para gastar tempo precioso cuidando da dos outros?!

Quem quer uma grande mudança no mundo precisa dar o primeiro grande passo, olhar-se, para depois poder dar o passo maior, transformar-se a si. Você já viu como é poderosa a força do exemplo?! ;)

Boa sorte na sua jornada! :*


Matheus 7
1 Não julgueis, para que não sejais julgados.
2 Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós. …

Lucas 6:37 Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.

Lucas 6:41 Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão e não percebes o tronco que está no teu próprio olho?

João 8:7 Porque insistiram na pergunta, Ele se levantou e lhes disse: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.”

Romanos 2:1 Portanto, és indesculpável, ó homem, sejas quem for, quando julgas, porque a ti mesmo te condenas em tudo aquilo que julgas no teu semelhante; pois tu, que julgas, praticas exatamente as mesmas atitudes.

Romanos 14:10 Mas, tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, igualmente, por que desprezas teu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus.

Romanos 14:13 Portanto, abandonemos o costume de julgar uns aos outros. Em vez disso, apliquemos nosso coração em não colocarmos qualquer pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão.

1 Coríntios 4:5 Assim, nada julgueis antes da hora devida; aguardai até que venha o Senhor, o qual não somente trará à luz o que está em oculto nas trevas, mas igualmente manifestará as intenções dos corações. Então, nesse momento, cada pessoa receberá de Deus a sua recompensa. Advertência contra a arrogância

Tiago 4:11 Caros irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem se põe a falar contra algum irmão ou passa a julgar o seu irmão, acaba protestando contra a Lei e a julga também. Ora, se passas a julgar a Lei, cessas de obedecê-la e assumis a posição de juiz.

Isaías 66:5 Ouvi, pois, a Palavra de Yahweh, vós que tremeis diante da sua Palavra: “Vossos irmãos, que vos odeiam e vos lançam para longe por causa do meu Nome, afirmaram: ‘Que Yahweh seja glorificado, para que vejamos a vossa alegria!’ Mas eles é que serão envergonhados.

Ezequiel 16:52-56 Agora, pois, suporta também a tua vergonha extrema, pois proporcionaste alguma justificativa ao procedimento de tuas irmãs. Visto que os teus erros e pecados são mais detestáveis que os delas, comparadas a ti, elas ainda parecem justas! Envergonha-te agora mesmo e suporta a tua terrível humilhação, porquanto, diante de ti, tuas irmãs parecem puras e honestas.…

Romanos 14:3,4,10-13 Aquele que come de tudo não deve menosprezar o que não come, e quem não come de tudo não deve condenar quem come; pois Deus o aceitou. …

1 Coríntios 4:3-5 Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós, ou por qualquer tribunal humano; em verdade, nem eu tampouco julgo a mim mesmo. …

Tiago 3:1 Caros irmãos, não vos torneis muitos de vós mestres, porquanto sabeis que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor.



Consciência é a chave para tudo!


Tá lá na minha página pessoal, no Facebook, mas, não custa postar aqui também, quanto maior o alcance, melhor!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Acorda, Alice!



Ah! Tem horas onde fico em dúvida se estamos no Brasil ou no País das Maravilhas, pois tem Alice demais por aí...
Essa conversa toda sobre se era ou não Neymar na maca do hospital chega a ter graça!
E daí, se não era ele?! Se o mundo inteiro estivesse especulando sua situação num momento de fragilidade, sofrendo dores intensas e você pudesse ter um sósia para despistar as atenções, você não usaria desse artifício?! Eu usaria!
Pense só na aporrinhação que seria para você, sua família, sua namorada ou whatever, além de toda apreensividade ainda ter de lidar com a imprensa em cima... A fama não os deixa ter vida normal como qualquer outro cidadão, e, honestamente, mais parece fardo do que bênção nessas horas.
E falar que o rapaz foi visto em sua casa andando normalmente ao invés de em cadeira de rodas... Ele fraturou a extremidade da L3, não ficou paraplégico, minha gente! É caso só de usar cinta imobilizadora! E feio é a pessoa não ter privacidade nem no seu quintal. Isso ninguém critica ou faz conjecturas sobre!
Sério que vocês acham que tudo isso é conspiração?!
De quem é a culpa?! Dos acumuladores de tralhas da Ilha de Petra? Dos pássaros azuis bicudos apreciadores de picolé de chuchu? Dos Iluminatis? Dos Incas Venusianos?
Ah! Máh wá! Vocês andam assistindo muito Discovery Channel.


sexta-feira, 8 de março de 2013

NÃO ME DESEJE FELIZ DIA DA MULHER!







Não, não me deseje feliz dia da mulher!
Enquanto houverem mulheres oprimidas esse desejo soa como palavras vazias, é mais um "bom dia" ao passante a quem nunca se viu mais gordo...
Não, eu não aceito essa canção estrangeira que não foi escrita para mim. Feliz?! Que felicidade é essa?! Felicidade de trabalhar o dia todo e ainda depois da (primeira) jornada, ter de estar linda, perfumada, elegante, bem humorada, magra, gostosa e pronta para o sexo?! Da obrigação em ter orgasmos múltiplos e sorrir como se fosse a dona do mundo, só porquê assim dizem as revistas femininas que uma mulher deve ser?! Há que ser a Nobel da Paz em compreensão, a modelo internacional em beleza, super mulher em todos os quesitos e ninfomaníaca insaciável para manter a auto estima de seu homem, e o relacionamento... Ter o corpo perfeito daquela atriz que ganha os tubos para passar o dia na academia, o rosto daquela outra beldade que usa as maquiagens de última geração e ainda tem o Photoshop sempre de prontidão para tirá-la do patamar das reles mortais, os cabelos da estrela de comercial de shampoo. Se privar dos pequenos prazeres a troco da próxima dieta da moda que promete que desta vez o milagre vai acontecer e você vai acordar a mais nova diva encarnada. Ser a chef de cozinha do lar, a melhor arrumadeira, a mãe mais carinhosa, a psicóloga, enfermeira, professora, agente de recreação, secretária, analista de riscos e mais o que a necessidade dos seus pedir, assim, just in time, 24X7! Preferencialmente de salto alto e sorriso nos lábios. Não importa se tem cólicas, está de TPM, teve um dia ruim, está doente, com gripe ou o coração partido. Ah! E ainda tem ser profissional competente, estar no topo, ser a mais mais. É essa a idéia* de mulher que nos jogam goela abaixo dia sim e dia também.
Não, eu não me candidatei a essa vaga! Não comprei ingresso para assistir esse filme. Não quero esse posto, ninguém me coloca essa faixa, nem essa coroa (de espinhos) e nem esse fardo que tantas outras aceitam iludidas pelo falso glamour. Isso é felicidade?! De quem?!
Não, não me deseje feliz dia da mulher!
Não enquanto houverem mães chorando por seus filhos roubados, para serem mercadorias, ou seqüestrados pelas drogas. Não quando crianças pedem esmolas ou dão espetáculos mambembes nos faróis de cada esquina... Não enquanto meninas forem vitimas de abuso infantil, enquanto houver trabalho escravo, enquanto mulheres forem mortas "por amor" ou em "defesa da honra". Que honra pode ter um assassino?! Que honra tem um homem que avilta, abusa das mais covardes formas de sua parceira?! Pois sim, mais de 75% dos casos de violência são cometidos pelo parceiro íntimo da vítima.
Quem há de ter um feliz dia da mulher?! Quem nessa terra o terá, enquanto "entre 500 mil e 2 milhões de pessoas são traficadas anualmente em situações incluindo prostituição, mão de obra forçada, escravidão ou servidão, segundo estimativas." Sendo que,"mulheres e meninas respondem por cerca de 80% das vítimas detectadas", segundo dados da ONU.
Não há perspectiva de um feliz dia PARA a mulher quando se sabe que a cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil. Enquanto gestantes sofrem violências, enquanto hospitais públicos não tem capacidade de oferecer a elas um leito para um parto decente, e muitas vezes seus bebês pagam com a vida ou ficam com seqüelas desses descasos. Enquanto uma mamografia pela rede pública demora meses para ser feita. Enquanto ela não tem poder para decidir sobre seu próprio corpo e tem de se submeter a um aborto clandestino e ficar estéril ou morrer nas mãos de um carniceiro qualquer ou de uma "curandeira". Não há como ser feliz em SER mulher privada de seus direitos básicos.
Em que dia será possível ser feliz sabendo-se que há mulheres mães em tantos cantos do mundo com fome, fome extrema, tanta que não conseguem produzir leite em seus seios e vêem seus bebês morrendo de inanição?! Enquanto são infectadas com doenças como AIDS por seus parceiros, aqueles que deviam protegê-las ao invés de expô-las a riscos como esse?!
Não há felicidade que resista a saber que mulheres sofrem assédio sexual e/ou moral em seus ambientes de trabalho. Exercem com competência , não raro, mais de uma função e ainda assim recebem salário inferior ao dos homens... São discriminadas e por vezes preteridas ou dispensadas passado o período que a legislação assegura no pós maternidade...
Também não há como se orgulhar quando a própria mulher se presta, por vontade própria, ao papel de se coisificar, ser outdoor de qualquer produto como se fosse meramente uma bunda ou um par de peitos. Uma mercadoria barata. O corpo feminino é belo, belíssimo, mas ser mulher é mais do que exibi-lo. É mais do que dar força a um estereotipo non grato.
Que geração poderá honrar o sangue derramado das trabalhadoras russas e nova-iorquinas cuja luta se faz referência nesse dia?! E o sangue e a dor de tantas outras desconhecidas, mas cujo fardo é o mesmo?! A mesma luta!
Não, não torne comercial (essa data) aquilo que não tem preço, aquilo que nada paga senão a justiça.
Não, não me ofereça rosas vermelhas, eu já tenho meus próprios espinhos além dos que a vida já se encarregou de me impingir por ser mulher. Não, o vermelho já escorre por minhas veias e em alguns dias do mês por entre minhas pernas, isso não me deixa esquecer de minha condição. E eu não me envergonho dela e não aceito a pequenez que muitos a ela atribuem. Não nascemos de uma costela masculina, os homens é que nascem de nossos úteros. Isso não pode ser esquecido e merece ser exaltado.
Não, não me deseje feliz dia da mulher! Não me dê flores, me ofereça seu respeito! Mas não o quero só hoje, MEREÇO durante todos os dias do ano!
Terei um feliz dia, quando não mais precisar de um dia para que meu gênero ou qualquer outra minoria seja lembrada com respeito. Terei uma feliz vida, quando todos nós não precisarmos mais de classificação além da única que realmente importa e que é comum a todos, a de humanos.
Enquanto isso não acontece, não me dê parabéns, me dê respeito e dignidade. E nunca, jamais, sob hipótese alguma, me deseje feliz dia da mulher!




*Sei que segundo o Novo acordo ortográfico da língua portuguesa, idéia não tem mais acento agudo na letra e. Também não se usa mais o trema, que acho charmoso. Porém, o corretor do Word faz aquele sublinhado vermelho irritante se não os coloco e me dá um certo "nervosismo estético" a falta do já referido acento e dos dois pinguinhos sobre a letra u. Do que sei, Portugal não aceitou tal acordo, por que euzinha então tenho de aceitar?! :)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Mensagem na garrafa





Pedi para Janeiro ser bonzinho, ele foi. Aguentou firme e não me levou ninguém neste ano, mas seu irmão Fevereiro, todo apressado, não escutou meu pedido... Parece que não adianta pedir, a vida mostra cada vez mais que a gente pede, mas é ela quem manda. A vida, essa contadora de histórias, pega a gente de surpresa, e dá um choque de realidade. Faz a gente ver a fragilidade que é ser de carne e osso, mostra que tudo é mistério e que é importante estar presente, estar NO presente.
Só o aqui e o agora são reais.
Hoje, essa contadora de histórias resolveu que era dia de despedida e fechou um livro em sua vasta biblioteca. Colocou um ponto final muito brusco numa história que ainda renderia muito enredo. Uma história que tinha tudo para ser ainda mais linda e longa. Isso por si já é o bastante para entristecer só de ouvir falar, e me entristece. E a tristeza não é só (como se fosse pouco) pelos sonhos não realizados, os planos interrompidos, a paisagem que resta incompleta, as palavras não ditas e todo um vir a ser que nunca será... É a tristeza do adeus de uma pessoa querida. Foi o William, o gigante mais gentil que já conheci, hoje ele deixou de habitar o nosso mundo e passou a povoar as nossas lembranças...
Nossas histórias passaram pelas mesmas linhas algumas vezes, não muitas, mas o suficiente para que se criasse um afeto. Aliás, foram as linhas de fato e a palavra escrita que fizeram com que a gente escrevesse juntos as tais linhas em comum... E estivesse ligados por outras tantas linhas paralelas... Há quem pense que "amizade virtual" é superficial, vazia. Que o computador é só uma fonte de entretenimento e informação. Esse conceito carece de atualização. Nunca lhes sucedeu que são pessoas e não máquinas que se comunicam, que trocam palavras, experiências, confidências, carinhos, através dessa "tela fria"?!
Chamei o monitor de meu antigo PC de tela fria durante muito tempo, aquele em que o usava apenas como ferramenta para meus trabalhos de faculdade. Quando a internet era só mais uma fonte de pesquisa. Depois, nem tela e nem peneira, ela virou rede em minha vida. Rede que me pescou e arremessou pra dentro de um mar de surpresas, com uma fauna adorável e infinitamente mais interessante e especial do que jamais poderia supor... Numa dessas viagens, quando já era maruja mais experiente, foi que numa ilha sem mapa, nem coordenadas, encontrei um grande tesouro. Um delicioso e extraordinário grupo de amigos, e o grandão de coração maior ainda, foi uma dessas preciosidades.
Eram noites e madrugadas de muitas risadas e conversas. Os caracteres tornaram-se pouco diante do carinho que se firmava entre todo esse povo bom, se fazia necessário o olho no olho. E ele, pessoa cheia de disposição, olhar sempre atento, sorriso franco, enormes braços acolhedores, foi dos primeiros a abraçar essa ideia e pô-la em ação. E assim, o rosto de nosso gigante favorito passou de avatar de perfil a habitué de animadas mesas de conversa e diversão. Não bastava sua presença, ainda nos trouxe de presente sua grande (em tamanho e em doçura e beleza) amada, Mia. Veja só, o que já é bom por si e ainda vem com bônus! Olho para tudo isso e como não me sentir afortunada?! Só posso dizer que foi um privilégio e digo isso com toda gratidão!
Sinto por ser tão relapsa e me deixar levar pela correria do dia a dia, sem dar a devida atenção a AQUELES e AQUILO que realmente importa. Sinto por não ter sido mais presente. Sempre estive deste lado da telinha observando, feliz em saber que estava tudo bem. Comemorando daqui as conquistas, as alegrias. Contava que haveriam outros momentos, outras mesas e outras risadas. A gente deixa para depois e esquece que a vida não dá garantias de nada... E quando ela bate o martelo a gente fica atônito, se sente roubado, percebe o tempo que desperdiçou, o carinho que não deu, mas já é tarde. Aquela luz já se apagou. Diante de tantas perdas, fica na boca o gosto amargo e a lição, que dessa vez faço questão de levar comigo e fazer a tarefa para casa direitinho! Vou praticar o exercício da presença, na minha vida e na de meus presentes. Não me absterei da responsabilidade diante daqueles que me cativaram mais do que eu os cativei... Sempre muito recebi, é justo retribuir.
Obrigada, William, amigo querido, que em toda sua generosidade, partiu, mas deixou comigo o alerta. Obrigada por ser um farol nesse mar. Vai em paz, navega tranquilo, que mereces. Faz tua viagem, um dia desses a gente se encontra em algum porto. Vai sem medo, que o mar está sereno e hoje é dia da Mãe d'Água. Segura nas mãos dela e deixa o vento bater nas velas de teu barco e te levar. Vá em paz, nós aqui te lembraremos. E teu tesouro estará bem cuidado...


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O começo que lembra do fim.





Há tempos que estou com um aperto no peito. Em Dezembro já vinha o cheiro de Janeiro me atordoar os sentidos. E Janeiro, que deveria cheirar a brisa fresca, grama molhada, ano tinindo de novo, tem cheiro de nostalgia e sabor residual de fim...
Os últimos Janeiros foram certeiros em atirar para longe preciosidades de minha vida. O primeiro desses Janeiros me roubou papai e nunca mais fui a mesma! É, 2007 chegou sorrateiro e levou meu primeiro e mais irremediável amor. Mario Ferrari, meu amigo e "Bom Quixote" predileto, substituto voluntário de colo de pai, não viu nascer o primeiro dia de 2011. Cristiane não despertou do primeiro sono do mesmo ano... E 2012 não foi o fim do mundo, não do mundo todo, mas foi o despencar do meu mundo. Felizmente, essa última história não teve um fim definitivo, doeu, mas teve direito a recomeço, que seguimos escrevendo... E que, espero eu, sem atrapalhos de Janeiro ou qualquer que seja de seus irmãos.
Papai já ganhou um sem número de homenagens, e ainda ganhará outras. Sem contar o fato de que, tacitamente, dedico a ele, todos os dias, o meu mais belo sorriso do dia. Sinto muito a quem me fez sorrir, fique feliz, aproveite, envaideça-se, mas tenha ciência de que, este presente não é só seu. Querendo ou não, ele é sempre compartilhado com meu amado paizinho, Seu "Joãozinho", aquela fofura ambulante, que vai sempre perambular pelos meus sonhos, minhas memórias. Está presente nos meus sorrisos e impresso nas minhas vitórias, inclusive nas que não pôde assistir. Aquela gargalhada gostosa povoa minhas mais deliciosas lembranças, até dos fatos em que não participou... Ele está no meu DNA com todo meu orgulho! Dele herdei meus bens mais caros, a imensa capacidade de amar e a habilidade de envelhecer sem perder o olhar de criança para esse mundão. Dele é muito de mim, mas, deste texto, só esse pedacinho...
Mario recebeu um poema exclusivo em vida, todo carinho, incompreensão, assombro, atenção e encanto que conseguiu depreender de mim. Foi ele quem me fez atentar, numa conversa, para a dor, que até então pouco eu conhecera, de ver tombar pouco a pouco as testemunhas de vida... E me ensinou ainda mais na prática, quando tive de assistir à sua queda. Testemunha de pouco tempo, mas de momentos decisivos... E companheiro de jornada em assuntos que até hoje converso internamente evocando seu nome... Recebeu a tal poesia, e ainda receberá outras homenagens, merecidas, mas hoje não mais que essa lembrança.
O relacionamento que Janeiro último chacoalhou já teve também muitos registros, e terá outros tantos, pela mente, pelo blog e, desejo eu, pela vida, que ao menos ele, além da vida, claro, continua. Esse texto em especial, não é sobre ele também para além dessas linhas.

Esse texto é pra falar de alguém que me acompanhou pela vida afora, que aparte pessoas de minha família, foi quem mais testemunhou de minha história... Minha amiga de mais tempo nessa vida, meu record de amizade... Minha imensa saudade.
Ah! A Cris, posso me lembrar até hoje da primeira vez que nos vimos. Faz décadas (três e mais uns anos, para ser mais exata), e posso ver materializar-se diante de meus olhos aquela menina branquinha com sardas no rosto, de seis anos de idade, olhos curiosos, parada no meu portão. Viu o caminhão de mudanças parando, notou um carro com crianças atrás e logo correu para assuntar. "Vocês vão morar aí?!", perguntou com satisfação visível. Depois entendi a razão, na rua só havia uns moleques bem grossos, uma porção de idosos, uma menina chata e chiliquenta na casa da esquina, e sua única companhia agradável, sua prima Cristina. Então eu e meu irmão éramos um acréscimo na diversão, o que foi lucrativo para todos nós.
Ops! Volta a cena: "Vocês vão morar aí?!" Sim, respondi lisonjeada, surpresa e desconfiada ao mesmo tempo, com toda a minha habilidade social de garota de cinco anos... "Oba! Meu nome é Cristiane, e o seu?!"
Nunca tinha visto uma garota tão cheia de atitude! Estava acostumada a meninas chatas que pareciam de louça... Enfim alguém da mesma cepa! Todo um novo universo surgiu na minha frente. Desta conversa em diante a gente só fez estar juntas todo o tempo que podia. No começo, estudávamos em escolas diferentes, assim foi pelos primeiros sete anos da nossa amizade. Era complicado, aquelas horas de estudo eram prazerosas, sempre foram, sempre amei estudar. Por outro lado, sentia falta de dividir, em tempo real, aquilo que me chamava a atenção com a amiga mais querida. A outras meninas da escola, gostava delas, de alguns garotos também, mas ninguém me conhecia tanto e nenhuma presença era mais especial do que a de Cristiane...
Nesse tempo a gente brincava, e brigava, e compartilhava gostos, e tinha ciúme das outras amigas... Duas cabeças duras, cheias de temperamento, bem marrentinhas. A gente se amava e se "arrancava pedaços" verbalmente quando as vontades não combinavam... Mas era muito amor, daqueles que sempre vencia. Eu, de menina onça, até me deixava ser gatinha mansa, só para acabar logo com a guerra e voltarmos às boas. Pouca gente nessa vida desfrutou ou desfruta desse benefício. Aquela "cabeçudinha" adorável me fazia baixar a bola, pois eu sabia que me cansaria, que perderíamos tempo, pois em teimosia ninguém ganhava dela. Mas, também fui agraciada algumas vezes com a mesma benesse... Não sei de mais ninguém que tenha conseguido.
Brincamos muito no meu quintal, compartilhamos brinquedos, algumas vezes fui visitar seu orgulho, aqueles ratinhos brancos recém nascidos esquisitos e feinhos... Que ai de mim se falasse que eram feios aqueles pacotinhos pelados, rosa translúcidos cheios de veias, que eu ia ver só pra ver a sua cara de felicidade, que nunca que consegui achar graça neles e seus pais com aquelas caudas enormes... Aquelas gaiolas, por mais limpas que fossem, e assim eram, no maior capricho, tinham um cheiro estranho. E meu nariz sempre foi de perfumista e bem enjoadinho... Rato, para mim, ainda que branco, era tudo bicho nojento que não prestava, mas aquela garotinha me fazia quebrar paradigmas...
Nós crescemos e, de tanto atormentar meus pais, consegui ser transferida para a mesma escola; aí é que a gente virou num grude. Era a liberdade e a alegria completas! Não precisava ir mais à escola de ônibus escolar, com toda aquela molecada sem graça, podia ir a pé, feito gente grande, com minha melhor amiga, meu irmão e outro amigo maluquinho... Me sentia já adulta. Pronta para viver fortes emoções quase que como Telma & Louise... Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!!!!!!!!!!!!!!
Num desses dias, minha grande companheira não foi à aula, e não havia dito nada a respeito no dia anterior. Achei estranho, fiquei preocupada. Fui assim mesmo. Quando voltei, foi um dos maiores choques que já tive: passei em sua casa para ver se estava tudo bem. Não estava. Cris estava em coma, glicose a 360. Nunca vou me esquecer do número 360. Um medo imenso, uma incerteza gigantesca tomaram conta de mim, foram dias intermináveis... Acho que não mais de dez, mas, duraram um ano em termos de aflição. Ainda consigo acessar a dor daquela espera. Toda uma vida pela frente, com reticências no meio do caminho... Mas, felizmente, Cinderela acordou. Que alívio!
O diabetes virou companhia nossa. Eu não tinha a doença, mas acompanhei todos os cuidados que se fazem necessários a um portador da condição. Quis saber o máximo de informações de que se dispunha. Muitas vezes assisti a ela se aplicando insulina. Tive de virar vigilante de sua dieta, o que muito a contrariava. Eu era uma menina com meio juízo, mas que tentava cuidar da mais sem juízo ainda... De vez em quando uma briga ou outra, por conta de seu descuido. Sua mãe fazia o que podia para que ela, menina que era, não se privasse das delícias da juventude, das guloseimas, das que podia consumir com segurança. E eram caras, e sim não tinham tantas opções como as convencionais, entendo, mas, eram as que ela podia. Eu, que sempre fui muito severa com transgressões dessa natureza, vivia cabreira com a intransigência da teimosinha querida... E nessas horas, compartilhávamos farpas. E doíam. Doía saber que minha amiga se prejudicava a custo de um prazer efêmero, lícito, inocente, mas totalmente proibido a ela. Senti como o gosto do açúcar pode ser amargo... E novamente os paradigmas em nossa história.
Noutras horas, compartilhamos muitos brinquedos, brincadeiras, segredos. As primeiras emoções da passagem de meninas a jovens moças. A disputa de quem iria usar soutien primeiro. Compartilhamos as dúvidas da puberdade, a curiosidade, os medos. Compartilhamos até o primeiro amor e o primeiro coração partido... Sim, eu o conheci primeiro, era amigo de meu irmão, desenhava, todo falador e popular. Não era bonito, mas era intrigante, instigante, inteligente, qualidades que sempre apreciei no sexo oposto e continuo. Aliás, gente interessante, para mim, é assim...
Fiquei encantada, e claro que apresentei à minha amiga-irmã. Ele me fazia gracinhas, dava desenhos, um dia me convidou para sair. Eu toda eufórica, fui contar a ela que estava gostando de alguém, ela irrompeu num sorriso e disse antes, "eu também, estou gostando de R"... Meu mundo caiu naquele instante. Como eu poderia dizer a ela que também gostava dele?! E pior, como dizer que era recíproco?! Calei meus sentimentos, desconversei, disse que era um garoto do meu curso de inglês, que ela não conhecia... Evitei-o ao máximo que pude, adiei o primeiro beijo tão esperado. Teria assistido feliz ao namoro dos dois, caso ele quisesse... Nunca aconteceu. Ela se declarou, ele não correspondeu. Passamos muitas tardes ouvindo juntas "Sandy", da trilha sonora de Grease, e chorando juntas a rejeição... Chorei o beijo não dado, mas sem o menor arrependimento, não seria capaz de traí-la. Deixei-a pensar que o tal garoto não me quis também...
Lágrimas, risos e uma vida que segue. Impaciente com o meu desinteresse por garotos, ela, que meses depois, já tinha virado a página, me arranja, sem aviso prévio, um "desinfeliz" pra me beijar: amigo do namorado com apelido de bicho nojento - Rato Branco. De novo, ela e os ratos... Teve a brilhante idéia de que eu devia ter um par para não segurar vela. Afe! Beijei tão sem vontade que o sujeito não quis me ver depois - quer dizer, uma vez foi na porta do colégio e eu saí só mais tarde, esperando que ele fosse embora... Enfim paz. Liberdade para beijar quando eu quisesse... Sempre tardia, eu com essa minha liberdade. Quase como a bandeira mineira... Mas a tardia sempre fui eu - liberdade sempre tive de sobra!
Mais tempo, dança da cadeira de namoros, e nós sempre juntas. Posso passar duzentos anos nessa Terra e não vou me esquecer da gente procurando estrelas, deitadas no chão da varanda de sua casa. A poluição de Santo André nunca fora tão celebrada! Ela dava mais emoção à brincadeira. Aquele céu encoberto e a gente lá, procurando estrela, feito agulha em palheiro. E quando achava, vinha o grito da vitória: "Achei! Ali! É minha!" Quantas estrelas será que tivemos?!
Não sei, mas sei do seu brilho, sei do quanto seu sorriso iluminou meu olhar e até o meu mundo... Será que brilha numa delas agora?!
Nunca contei que depois de algum tempo, de muitos beijos, tive um encontro com R e aquele beijo que adiei aconteceu, uma única noite de beijos. Até ia contar, mas depois não aconteceu mais nada, deixei lá no passado distante, deixei essa história morrer no silêncio daquilo que podia ter sido e não foi. No fim das contas, a minha imaginação era muito melhor! Sempre fui boa em imaginar...
Lembro das nossas risadas, das farras com os garotos naquela varanda. Noites de neblina, garoa e risos da "sessão abobrinha". O Sidney me chamando de Cônsul, eufemismo para fresca, e todo mundo se acabando de rir. O maluquinho "encapetado" brincando comigo, a fala com a voz alterada de que até hoje me lembro rindo: "Amor, cadê aquela colher de pau enorme?!" O seu primeiro amor concretizado, aquele que, sempre tive a impressão, nunca passou, só adormeceu pela impossibilidade de prosseguir. O "pai", como o batizou, antes de começar o namoro. Tão lindo quando revelou que pai era disfarce para "paixão"...
Nunca vou esquecer sua paciência com minhas crises de riso, minhas maluquices por excesso de criatividade, feito naquela noite que voltei da padaria com um pudim, fiz tanta palhaçada que disseram que era culpa do "pudim de LSD"... Como a gente era feliz! As matinês na Shunshine, onde a gente se acabava na pista de dança. A sua música preferida, ainda me lembro. Ouço e posso vê-la dançando freneticamente, o sorrisão e as mãozinhas balançando de alegria ao ouvir os primeiros acordes.
Minha festa de quinze anos. Um evento na minha vida que eu queria e não queria. Foi um cumprir tabela, fazer social e realizar o sonho de mamãe. Mas o balanço foi positivo, porquê a gente se acabou de dançar! Me diverti demais no meio daquela caretice toda de dançar valsa, monte de convidados, que era gente que eu gostava, mas era gente demais! Não importava, estava lá minha amiga-irmã, minha turma de amigos e isso bastava, fazia um mundo dentro de outro, um universo paralelo, só meu e melhor.
O tempo é mesmo relativo, e passa depressa quando a gente está se divertindo. Tive de me mudar, 360 quilômetros de distância. Olha só, tinha de ser o número da dor para atrapalhar tudo! Antes de me mudar, fui visitar a cidade uma vez. No caminho todo, céu de Junho, era como se fosse um tapete forrado de diamantes. Fiquei maravilhada com a visão, desejei sua companhia ali para compartilhar de toda aquela beleza que via. Minha mãe, para me animar disse: "Não gosta de estrelas?! Olha só quantas!" E eu, "queixo duro", como dizia papai, fiz questão de responder: Grande coisa! Assim é chato! Que graça tem?! Não é preciso procurar...
A verdade é que a insatisfação era não poder saber qual expressão teria sua face diante de tudo aquilo. Era saber que em pouco tempo muito menos teríamos a dividir.
Um mês depois, a mudança. Contrariada, lá fui eu. Chorava em casa, na nova sala de aula, na rua. Só uma visita aplacava minhas lágrimas, a do carteiro. Trocamos cartas, tantas vezes.
Cheguei a visitá-la dois anos depois da mudança, nesse dia, distraiu meu namoradinho só para perguntar "Ainda tá virgem?" E sim, eu estava. E ela riu de um jeito maroto, que me dizia que ela não. Aquele meneio de cabeça de quem já esperava, afinal, sempre fui a tardia... Não sei a razão, mas me preocupou saber que ela não. Uma sensação gélida me atravessou, pude sentir no corpo, algo estava por acontecer.
Me partiu o coração não poder estar ao seu lado quando seu "paixão" decidiu não mais querer o título. A dor deve ter sido muita, de longe pude sentir que algo murchava em seu interior. Tempos depois as cartas ficaram estranhas, versículos bíblicos. Minha amiga tão cheia de atitudes não tinha palavras próprias, buscava apoio em palavras antigas. Não compreendi, não soube lidar e recuei, não mais escrevi. Perdi o contato. Nunca deixei de pensar, mas não reconheci aquela pessoa, me alimentei das lembranças antigas para manter o carinho.
Alguns anos depois, a visitei novamente. Tinha uma linda menina nos braços, os olhos ainda vivos, mas com um brilho diferente, a menina que conheci deu lugar a uma mulher com papéis e preocupações e uma saúde frágil. Continuava agitada, mais distante das palavras antigas, mais próxima do turbilhão que conheci, mas ainda assim, diferente. Nossas vidas tomaram rumos completamente opostos. E assim se seguiram. A dela, com mais desilusões que a minha. E veio mais um menino, no tempo que já tinha voltado à cidade e morávamos próximas novamente.
O menino nascera com cardiopatia grave, felizmente melhorou depois de tempo, dedicação e uma cirurgia delicada. Nosso contato cada vez mais esporádico. Era muita a sua carga e eu pouco me sentia capaz de ajudar além de ouvir. Não éramos mais meninas, nos tornamos mulheres, com trabalho, contas a pagar, rotina atribulada. A vida seguiu e eu, que fiquei vendo de fora, pouco participei, sinto muito. Nos últimos tempos, só tive notícias pela sua mãe. E notícias ruins, até que chegou a notícia de sua partida, de que só tomei conhecimento depois. Não pude nem dar meu último adeus.
Hoje penso no tempo que poderíamos ter tido juntas. Nas coisas que podíamos ter compartilhado, no quanto fui falha. Mas eu não soube fazer melhor...
Me perdoe, Cris! Eu sempre vou te lembrar. Sabe, as Três Marias, que você sempre gostou de contemplar?! Toda vez que olho, me lembro e sorrio, e esse sorriso dedico a você. É meu sinal de gratidão, pela sua passagem na minha vida. Tomara o brilho do meu sorriso possa te alcançar.
Dia cinco de Janeiro foi seu aniversário, como sempre, claro que me lembrei. Pensei em todas as coisas que você merecia ter ouvido, deixei rolar uma lágrima, depois abri um sorriso. Olhei bem pras Três Marias, dancei sua música preferida e pedi pra Janeiro ser bonzinho daqui em diante, pra ser mês de alegria e deixar eu comemorar em paz o nascimento da estrela mais querida que cresceu comigo.
Saudade, Cris! Brilha daí, que eu reflito daqui.
Brilha daí, que eu brilho daqui e o reflexo dos dois há de se encontrar em algum ponto misterioso do Universo.



Este é meu prolixo resumo de uma longa história de uma vida curta...


Para a minha estrela amiga, Cristiane Czerniak Fernandes e seus filhos Bruna e Gustavo, com todo amor.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Menino alado



Parece que foi ontem ,mas, tem um mês que a tua mãozinha pegou na minha e eu não fazia ideia de que seria aquela a última vez... A gente nunca sabe, não é mesmo, Rafa?! A gente nunca sabe, eu já havia aprendido essa lição com papai. Mas havia me esquecido e você se foi e me fez relembrar...
Se eu soubesse que era a última vez, teria segurado tua mãozinha mais tempo, mais forte, teria te escondido em algum canto, na minha bolsa, sei lá, pra não deixar a moça de preto te levar... Teria te colocado no colo e te enchido de beijos, a despeito do ciúme das outras crianças, teria te cantado uma canção alegre e bonita. Uma canção daquelas que te deixava todo agitado, com os dedinhos saltitantes, as mãozinhas inquietas, os olhinhos cintilando buscando descontrolados um colorido lindo que só teus olhos enxergavam...
Me lembro como se estivesses aqui do lado, parece que posso ouvir o teu riso ardidinho, os teus gritinhos de felicidade, o teu andar agitado pra todo lado, os teus dentinhos (de ratinho qui qui qui) expostos naquele teu sorriso debochado propositalmente forçado pra fazer graça, a tua mania de "brincar de sombra", o teu triiiiiiiiiiiiinnnnnnnnnnnta e trrrrrrrrrrrrrrrrêêêêêêis!
Ah! Meu anjinho travesso, me lembro daquele passeio ano passado, onde você me pediu pra abandonarmos o grupo e "dar uma volta, ali", do lado de fora do ônibus. E eu tive de te colocar no colo, fingir que brincava de cavalinho, te fazer cócegas, só pra te distrair até chegarmos ao nosso destino... A tua pergunta, "ganha mais o que?!", pro "fica quieto que você ganha mais" que a Lucy te disse...
A tua inquietação, a tua pressa, tudo aquilo que parecia patologia, talvez fosse só o ritmo acelerado de uma vida que precisava se consumar mais rápido que as demais, por não dispor do mesmo tempo que o usual... Você queria ver tudo e fugir de tudo e ir para outros mundos, tudo ao mesmo tempo. E jamais seria igual aos outros. Eu te entendo, menino alado. Eu te entendo, era tanto e tão pouco tempo...
Sei lá por que, mas você, o menino mais diferente da escola, aquele que "dava mais trabalho", sempre foi o meu predileto. Eu sei porquê, por que era você, autêntico, sem requintes, sem verniz. Você, assim, sendo o que era e só. E era muito, menino. Será que alguém te disse isso alguma vez?!
Tua imagem na minha cabeça é um misto de Pequeno Príncipe com Menino do dedo verde e umas pitadas de algo que não pertence a esse mundo, de tão original, de tão Rafa. Ai, eu queria pegar teu narizinho agora, te fazer uma careta, te falar uma frase sem sentido e a gente rir junto... Um minutinho de criança pra criança, eu e você, assim, sem distância nenhuma. Rolando no chão como você gostava. Rolando no chão e rindo. Queria ver as cores que você via. Hoje, quando eu soube que você partiu, um arco-íris dentro de mim desbotou um bocadinho. Talvez outro dia, quando a tristeza passar, ele fique mais vívido de novo, mas hoje ele está pálido...
Sabe a última vez em que você segurou minha mão com a sua mãozinha inquieta, me olhou com seus olhinhos amendoados e me disse "Eu gosto tanto de você, prrrrrrrrrrroooo!". Eu não te dei a resposta certa, docinho. Não era " eu também, meu amor, agora vá se sentar, Rafa. Vá arrumar suas coisas que é hora de ir pra casa..."
A resposta certa era: Eu também gosto demais de você, Rafa! Eu te amo. E onde quer que seja sua casa, não se esqueça disso, querido.
Eu não disse tudo, mas acho que você, do seu jeito já sabia.
Ah! Nada dói tanto quanto aquilo que deixamos de fazer, o carinho que deixamos de dar, o sorriso que ficou enroscado na boca e não desabrochou por causa de um instante de mau humor... Os pequenos gestos, as frases curtas, mas cheias de significado... A ausência das pessoas dói mais quando não expressamos o que sentimos, e é isso o que faz a vida valer. Eu não vou me esquecer mais, Rafa. Não vou não. Você me ensinou direitinho, querido. Vai em paz, meu professor criança. Brilha com o sol, que quando as lágrimas secarem, teu brilho vai refletir no meu arco-íris outra vez.

sábado, 21 de abril de 2012

Sonambulia




Frases que eu nunca quis, que eu nunca sonhei dizer, agora brotam assim, feito “maria sem vergonha”, em meus pensamentos, bem no meio da madrugada... Frases como: agora, separados, estamos ainda mais juntos...
Como assim, você, perdida no meio da madrugada? Ela sempre foi seu cobertor e sua canção de ninar!

Agora é assim, acordo quase todas as noites, no meio do sono, alta madrugada, olhar já perdido, em busca de um ponto para se fixar. Não encontro nada, só silêncio e saudade. A estrela da madrugada agora brilha em outro espaço...

Ao fundo, o céu nesse momento bate seus tambores secos, ecoam eles estrondosos, acompanhados por flashes velozes, o céu chora. Nostalgicamente, também chovem meus olhos. A terra treme, ou será meu coração agitado?

A vida é boa em ironia. Embora tenha sido eu uma boa aluna, dificilmente serei capaz de superá-la. Eis-me aqui, de braços dados à tua amante, só. Sonambulando pela casa...

Pergunto às paredes se elas têm notícia tua. Aguço os ouvidos na tentativa de ouvir algum dos nossos risos caminhando pela sala. Talvez ainda reste algum passo teu pela cozinha. Quem sabe se com bastante atenção não o ouça retinir rumo à geladeira a procurar por refresco?! Quem dera resgatar um “eu te amo” espremido entre as dobras das almofadas do sofá. Também não encontrei nenhum “até mais tarde, amor” no caminho do portão. Não, nada, nenhum som, só o eco das minhas recordações.

Talvez meu nariz de perfumista capte algo. Talvez ele me salve. Farejei e não houve sequer uma lufada do cheiro bom de mato que vinha do teu banho. Nenhuma nota do teu perfume favorito. O guarda roupas, apesar de ainda habitado, engoliu todo o aroma ambarado das tuas camisas. Novamente, nada. Ah! Só a insônia insípida, inodora e mais incolor que a água... Não restou para contar história, na bancada da varanda, nem o odor acre da fumaça do teu cigarro. Aquele com o qual tanto impliquei e do qual tenho hoje saudade...

Dos travesseiros, fugiram todos os sonolentos beijos matinais. Nos lençóis, não se refugiou nenhum abraço, não sobrou nenhum afago nos cabelos escondido na fronha. Todos os nossos vestígios, toda nossa história, tudo, agora é só memória. Memória e saudade que me acorda para desejar bom dia, antes de o dia nascer.

A vida é mesmo mestra em ironia! Agora a madrugada tem a mim, mas, não tenho mais a nós... Seria perfeito, o clima friozinho, o barulhinho de chuva lá de fora, o cobertor e a pele um do outro pra nos aquecer. Mas não, a vida e sua ironia. Esvazia nossa cama, pra me fazer dormir com quem nos apresentou. É, agora, quem fica no lugar do teu travesseiro é meu computador. Seria cômico, se não fosse solitário e irônico...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

PESQUISA URGENTE.

Só pra saber...
Alguém lê este blog?!






Não me agradam monólogos.
Bóra transformar isso aqui numa conversa, povo bom?!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Um inverso feminino

Acho que não dou certo pra fake mesmo... Essa coisa de arsenal feminino, definitivamente não é o meu estilo... Certos setores do universo feminino me parecem outras pátrias, idioma ininteligível, cultura alienígena. Falando assim, pode soar a exagero, fatalismo, síndrome de inadequação. Mas não, não é nada disso, é tão somente constatação. E nem me assusto, nem me importo mais. É uma verdade que aceito, assim, feliz da vida. É uma verdade que é minha, meu número, assim como minha digital, intransferível.
É nas pequenas coisas que percebo... Tirei as unhas de porcelana. Aguentei três semanas, olhando, estranhando, me estranhando. Eram lindas, perfeitas. Não havia nada de errado com elas. Talvez resida aí o motivo... Eu não assimilo o perfeito demais, a total simetria me invade o paladar da alma com sabor de fármaco amargo e vencido. Os olhos concluem e os outros sentidos, sinfonicamente concordam, em uníssono. Soa o alarme interno, mil luzes imaginárias piscam e indicam em letras garrafais: ARTIFICIAL. Essa palavra me é sinônima de incômodo. Sempre foi.
Eu, demasiadamente humana, perfeita em minhas imperfeições, exata em minhas indefinições, exibindo detalhes tão simétricos, tão perfeitos que inumanos... Minhas mãos, de infantis passaram a sedutoras. Mas, de uma sedução antinatural. Em poucos instantes, a antes chamada “rapina calma” mutou-se em contundência sensual desfigurada.
Quase um tiro pela culatra. Reduziu-se a sensibilidade e a destreza dos movimentos que antes eram fluidos e naturais, belos, pela singela delicadeza original. Instaurou-se uma dança grotesca, mal coordenada, desgovernada e patética. A beleza fabricada retinia destoante, algo se evidenciava claramente fora de lugar. Olhava tudo aquilo e a imagem que me ocorria era a de pata fantasiada em fêmea de pavão. Fantasia de bloco de carnaval decadente levando estandarte da liga especial.
O “nervosismo estético” era latejante e clamou por suicídio. Algumas mortes são libertadoras. Talvez fundamentais. Nesse caso, apenas uma questão de materialização da lógica, o atestado de óbito do que jamais viveu. Experimentei um momento de glória, quase um estado de graça numa situação banal. Senti-me a águia preparando-se para seu renascimento, arrancando as próprias garras. Aquilo que julgara me dar poder, era retirado exatamente para o resgate do poder. O sorriso floresceu em simultâneo à arrancada da última unha. Minha identidade estava firmada. Afirmei o inegável: minha paleta de cores é a natural. Meus tons orgânicos, os que minha alma pinta, realça, coloca em degrade, é o que é. Nada mais charmoso e encantador do que a naturalidade.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

CARTA AO AAMIGO.


Meu querido amigo,
Perdoe-me pela ausência, certamente ela deve ser maior para mim do que para ti. Mesmo assim, perdoe-me...
Tua aparição em minha vida foi muito bem vinda, uma grata surpresa que muito tem me dado, muito tem provocado, muito tem (me) despertado. É tanto carinho assim, gratuito, é tanto sorriso no rosto (que me roubas com meu consentimento), que a conversa flui leve, brisa perfumada de primavera. Fico à vontade contigo, tanto, que revelo-me como poucas vezes, para poucas pessoas fui capaz. É de causar estranheza a qualquer um esse desabrochar. Sobretudo porque uma onça costuma só espreitar, sem mostrar-se. Uma onça não tem pétalas, tem garras, mas não para ti. Para ti ela se deixa florir, colorir e perfumar. Veste roupa de festa e sai docemente, margarida, rosa, violeta, orquídea, flor do campo, felinamente feliz.
Ah! Que presente lindo poder ser assim, simplesmente ser, estar, contemplar. É assim, que tua amiga contemplativa e catártica fica, livre, suave, até na mais forte torrente interior. Sabe as espumas das águas? “Estar a teu lado” é assim. É como ser espuma das águas, é como fazer parte de algo que é pequeno e é grande e é único, e se transforma o tempo todo, tudo de uma só vez.
E se é tão bom, porque foges?! (Imagino que possas te perguntar, ao saber, nesse momento.)
É que ainda não aprendi a lidar com essa sensação, não aprendi a lidar com tantas novidades do momento vertiginosamente novo em que vivo. E contigo vem ainda mais montanha russa, mais roda gigante, mais algodão doce e ciranda.
É que, deixar-me ver, não por ti, mas, por mim, às vezes é amedrontador. Pouco medo tenho nessa vida, senão de mim mesma, já te disse uma vez. E, falando contigo, sou tão eu, que minha alma se liberta tão completamente e fala com a voracidade da fome de cinquenta retirantes. E nem todas as coisas que ela fala, entendo ou conheço, de algumas não gosto, outras ainda não sei como cavalgar sem beijar a arena. Ah! Mas tem algumas, cujo brilho me encanta e faz ter vontade de levar pro baile.
Ah! Meu amigo querido, essa carta era pra falar de ti, mas ninguém conhece a ti tão bem quanto tu. Senão por uma habilidade, dessa tenho toda garantia, que conheço melhor que ninguém, a tua enorme habilidade de fazer alguém enxergar-se a si, assim mesmo, pleonasticamente, através, atravessado e atravessando (com), teus olhos.
Obrigada, querido, por me ajudar a olhar. Vendo a mim, vi também a ti, e vi, que o Universo não é só um verso, pode ser a versão melhor, maior de uma canção que toca em várias vozes a mesma melodia em diferentes compassos. E a minha, tem o compasso do coração que sorri e aplaude a tua melodia.
Pode ser clichê, mas, digo, mesmo assim, obrigada, por existires.

sábado, 25 de fevereiro de 2012



Minha alma é cinestésica e sinestésica... Não sei se é algo que ocorre a todos, se é, ninguém nunca mencionou-me.
Às vezes me sinto anormal. Não, não é às vezes. É sempre, desde a eternidade me sinto assim.
Sabe, tudo o que capta o mais profundo de mim, eu sinto no corpo, pelo corpo, quem sou, o que sinto, o que devo fazer, o que me fere...
Eu recebo sopros no ouvido, quase tão audíveis quanto uma frase...
E não sou esquisofrênica... Os sopros são meus... As frases são minhas, meu eu procurando ser ouvido... Minha alma falando comigo...
E agora ela nem vai mais precisar gritar... Ela vai poder falar num tom mais baixo, suave e aveludado... Aquele em que eu gosto de ouvir minha voz...
Ela vai poder falar assim pq eu vou amá-la, respeitá-la e viver só por ela...
Eu me casei com ela hoje... ;)
Eu vou pra vida diferente agora...
Não vou só, vou com ela, minha noiva e minha amante...
Ninguém mais me corrompe, ninguém mais me violenta...
Hoje nós duas vamos dançar apaixonadamente, estamos em lua de mel.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012






Saudade monstra do tempo em que eu podia só amar...

RECADO A AQUELES QUE AMAM:
Não percam seu tempo com besteiras, sentimentos menores, medos, ciúme, orgulho, birrinha, insegurança... Esqueçam o passado, vivam o momento.
Amem, amem muito, amem tudo o que couber no coração e mais... É só viver.

Para as pendências psicológicas, procure ajuda especializada. Não torture quem te ama...

Palavras de quem tinha tudo e perdeu por não saber cuidar... :(

terça-feira, 24 de janeiro de 2012


Meu sorriso em outras bocas sorri hoje à boca maldita... Augustamente (da boca) dos Anjos.
Que lábios, que boca? Estás louca?
Não, límpida. De mãos limpas e alma lavada...

Tudo gira, tudo muda e ao mesmo tempo, não sai do lugar, até sair de novo, girar de novo, mudar de novo e lá vai, tudo de novo e de novo... Espiral, vertigem, escada, viagem, viver...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Olhares de estrelas


A menina tinha olhos grandes, negros, do negrume de noite sem lua e agitação de mar revolto, devorador de embarcações... A menina tinha sonhos que não conseguia entender, um sorriso raro, era preciso saber domar cometas para merecê-lo. Era sorriso de ano bissexto.
A menina era esquisita, raivosa como leoa que protege a cria. Tinha uma ira de nem sabia o que, tinha ímpetos, tinha força... A menina era muito esquisita, esquiva, camuflada, camaleoa. Esgueirava-se pelos cantos, só olhava nos olhos quando partia pra luta. Nessa hora, só enxergava vermelho em sua frente, fazia sangue jorrar... No restante do tempo, a menina se escondia, protegia-se atrás da armadura, escondendo seus pés de bailarina e sua delicadeza de hortência recém colhida.
A menina não era como as outras, era esquisita, de uma esquisitice que jamais conhecera em nenhuma outra menina. Queria saber as respostas de tudo, queria ler o mundo pelos seus próprios olhos. Queria cheirar as nuvens, lamber cachoeiras, andar descalça pelas estrelas, saber que som elas faziam na madrugada secreta. Ela usava óculos, que faziam fronteira entre ela e o mundo, e que eram ao mesmo tempo, seu guia através das paisagens nos livros... Ela viajava em histórias, cantava com as sereias, pulava amarelinha na estrada de tijolos amarelos, brincava de pique atrás do espelho de Alice, cabulava aula com Pinóchio, roubava redemoinho de Saci, ninava Emilia com cantos estrangeiros das mil e uma noites, plantava milho com Cora e voava com os deuses em suas naves de astronautas.
Ela, a menina estranha, não era desse mundo, e nem queria ser. Magricela que era, grande e desengonçada, era chamada pirulita chupada. Era caçoada no colégio, pela crueldade que só as crianças têm. Sentia-se uma pedra em meio as rosas, e com dureza de pedra, trancava-se em si, ou atirava-se em ataque. A menina sabia, jamais seria como as outras, mas isso não a ofendia, até a confortava. Não era seu ser cara de todo mundo. Também, jamais seria de mais ninguém o que só ela possuía...
A menina desconfortável, todos os dias dava espaço a uma doçura com hora marcada, que a deixava leve, mais satisfeita do que debaixo da árvore de natal em dia de receber presente. Todo dia era natal, pois, ela possuía um recanto só seu, um recanto onde a menina onça transformava-se em gatinha mansa, lânguida e carinhosa... Todo fim de tarde com o último raio de sol, que ela esperava se apagar, chegava sua estrela mais amada. O sol se punha e lá vinha ele, cansado, mas sorridente. Mal apontava na porta, de braços abertos, a menina onça armava seu bote de carinho e saltava, naquele colo fofo, naquele porto seguro. Era pega ainda no ar, nada precisava temer ou pedir.
Aquele par de olhos doces, serenos, o fitavam com a suavidade de uma brisa de verão, sua voz soava mais suave que um coro de anjos e ela sentia que poderia se derreter ali. Flutuar e volatizar-se, até não mais existir, dissipar-se para o Universo... Aquele era seu Nirvana. Se existe paz, ela se resumiria naquele momento, no sentimento que dele fluía. Naquelas horas, o mundo ganhava colorido, luz, uma melodia mágica. Naqueles instantes, ela se sentia livre, como nem os livros, seu segundo refúgio, jamais o fizeram, nem em sua aventura mais intrépida.
Nunca houvera uma palavra rude, se alguma mais áspera surgia, ele logo a apagava com uma sorriso, uma boa história, uma gargalhada, um cafuné no nariz ou uma sessão de cócegas. Ele era só amor, aceitação e conforto. Era praquele colo que ela corria pra dividir as vitórias, contar as proezas, chorar as tristezas. Ele era sua única testemunha, sabia de suas esquisitices e amava cada uma delas. Aceitava seu desengonço com peito estufado de orgulho, achava graça quando seu moleque de saias ganhava as peleias contra infantes desavisados... A menina ainda lembra das risadas numa arquibancada de sua infância, ele aos risos esperava sua sanha por sangue passar. E depois, mesmo sem poder correr, ia as pressas apartar a briga e se desculpar com os pais das vítimas.
Nas apresentações da escola, ele vibrava mesmo quando a menina fazia papéis secundários e a tratava com a pompa merecida por uma protagonista. Seus olhos brilhavam como farol de navegante. Eram duas, suas estrelas guia. A menina cresceu, sempre esquisita, com seus encantos diferentes dos das outras meninas.
Não entendia direito esse mundo de moças, de moda, de modos, de batom vermelho, de saltos altos... Queria era pular muro, chupar manga no topo da árvore, roubar rosa de praça e debochar do guarda. Ah! Moça menina, ai de ti! Não fosse aqueles olhos, aquele colo, aquela maneira de convencer a não roer as unhas, de ouvir a mãe e vestir a saia... Não fosse a certeza que lhe dava, de que ela seria ela, não importava com que veste, com quantas tintas se pintasse... Não fosse a certeza de que ele a amava e sempre o iria, independente de qualquer coisa e apesar de tudo...
A menina cresceu, aprendeu as artimanhas de ser mulher, usou as pinturas de guerra típicas do universo feminino e encobriu a esquisitice, de maneira a transformar-se até num charme. Foi vista por muitos olhos, cobiçada por tantos outros. Deixou que alguns a olhassem mais de perto. Sentia-se segura, pois estava sempre voluntariamente espreitada pelo olhar de suas estrelas amadas. Nunca abandonou seus dias natal, seus momentos de gata de almofada... Seguiu pela vida sendo ora caça, ora caçadora. Teve seus momentos Diana, teve transformação em Perséfone e depois, como prêmio, conheceu o amor. Foi radiante, tinha agora quatro estrelas, tinha em si a certeza de ser amada. Viveu o amor, transpirou felicidade, banhou-se em paixão. VIVEU. Dez vidas numa só...
Eis que um dia, sem aviso, as estrelas mais antigas, mais caras, se apagaram. Fecharam-se os olhos de seu amado pai, para a escuridão mais injusta de todas. Aquela que não tem volta... O mundo da mulher moça menina se escureceu brutalmente. Ela se virou em buraco negro, devorando a si própria, enclausurando-se em sua dor e levando consigo aquilo que estivesse ao redor.
Os olhos que a observam agora, os seus, nesse momento, devem estar se perguntando: mas, não havia ainda outro par de estrelas? Sim, havia. Duas estrelas que a mulher moça menina muito amou. Mas que, por ser tomada pela escuridão, já não se comunicava bem com elas, não conseguia apreciar seu brilho da mesma forma. Por medo de que o lume apagasse, queria suga-las, aprisiona-las, mas não teve sucesso. Sabe lá que forças, talvez desconhecidas pela física mundana, fizeram com que esse universo se expandisse a ponto de o buraco negro não alcança-las. Felizmente, as estrelas estão salvas, e hão de brilhar em algum ponto, talvez perto, talvez distante...
E a mulher moça menina? Agora, longe de suas quatro estrelas preciosas, paira diante do espelho, tentando desvendar-se. Entender a confiança que tinham os olhares de estrelas nela. Olha, examina, sopra o buraco negro, fecha-o e faz faísca, na certeza de que, um dia, conseguirá acender suas próprias estrelas. E que quando elas estiverem prontas, talvez encontre-se para somar com outras duas, dois faroletes, dois palitos de fósforo ou o que, estiver escrito, no seu céu, com diamantes.
Enquanto isso não acontece, ela joga os cabelos, escolhe a cor do batom, aumenta o som e dança com Lucy. Lucy in the sky with Diamonds.


Esta é para você, meu amado pai, João Jacob, meu eterno doce amor da vida toda. E pra você também, Dê, melhor amor, que um dia a vida me deu, que fez parte dessa história...


Santo André, 23 de janeiro de 2012.
20:20 Hrs

domingo, 20 de dezembro de 2009

Sobre a solidão





"Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado..... isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto!

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma."

sábado, 19 de dezembro de 2009

Bom fim de semana proceis!




Eu não tô aqui, por causa de que eu tô na roça.
Fui pra chácara, bater papo e churrasquear com uma gente querida.
ô vidinha mais ou menos... :P

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Será?



"Ações e sentimentos podem ser contagiosos, como um vírus


Um amigo seu que more a menos de uma milha (1,6 km) e que se manifeste feliz com algo, amplia a sua possibilidade de se tornar feliz em 25%. Se for seu vizinho, suas chances de também se sentir feliz aumentam em 34%. Se for seu marido ou sua esposa que seja tomado pela felicidade e a manifeste, sua possibilidade de se tornar feliz também aumenta, mas menos, 8%. Estas são algumas das conclusões de um estudo feito com 4.739 pessoas, que foram acompanhadas por vinte anos (entre 1983 e 2003) na cidade de Framingham (estado de Massachusetts, EUA). Esta pesquisa é parte de outra mais ampla, que está sendo realizada na cidade desde 1948, sobre prevenção contra problemas cardiovasculares. O trabalho é assinado por James H. Fowler, professor da University of California (em San Diego, USA), e Nicholas A. Christakis, professor da Harvard Medical School (USA) e foi publicado na edição de 4 de dezembro do British Medical Journal (BMJ 2008;337:a2338). O estudo também foi divulgado pelo site da revista New Scientist em 30 de dezembro.

Os pesquisadores puderam constatar que a extensão do "contágio" pode se ampliar até três graus de separação (o amigo do amigo de um amigo seu, por exemplo). Verificou-se também que se formam grupos de pessoas consideradas tecnicamente felizes e que esses grupos não se devem à tendência das pessoas em se relacionar com outras que são parecidas com elas, mas sim a um tipo de disseminação de um sentimento entre o grupo. Eles concluem que a felicidade de uma pessoa depende da felicidade daqueles com os quais ela convive, e que portanto a felicidade é um fenômeno coletivo. Porém, este fenômeno estaria em pleno movimento no ambiente social, sendo totalmente independente dos amigos que se escolhe para conviver. A freqüência com que se dá o contato e a força do relacionamento também são variáveis consideradas relevantes pelos pesquisadores.

Uma das explicações possíveis para este fenômeno, citada pela New Scientist, é a ação dos "neurônios-espelho", grupo de células cerebrais que são ativadas quando um ser humano faz exatamente o mesmo que outra pessoa."



Eis a obra:
Poder das conexões, O - Connected - A importância do networking e como ele molda nossas vidasl

Autores: Nicholas A. Christakis, James H. Fowler

Editora: SP - Livraria Resposta


Sinopse:
A irmã do amigo do seu marido pode te fazer engordar ou emagrecer, ainda que você não a conheça. Um vizinho feliz produz mais impacto na sua felicidade que um marido feliz.

Essas impressionantes revelações sobre o quanto realmente somos influenciados uns pelos outros são reveladas em O Poder das Conexões, onde os autores explicam por que as emoções são contagiantes, como comportamentos saudáveis se alastram, por que os ricos ficam mais ricos, e até como encontramos e escolhemos nossos parceiros. Intrigante e divertido, O Poder das Conexões subverte a noção do individual e promove um paradigma revolucionário – que as relações sociais influenciam nossas idéias, emoções, saúde, relações, comportamento e muito mais. Este livro mudará a forma como pensamos sobre todos os aspectos de nossas vidas.




Me resta a dúvida: será os seres humanos são todos "Maria vai com as outras"?!



Recentemente, numa retrospectiva, notei que era mais feliz quando era firme e algumas pessoas simplesmente tinham medo até de chegar perto de mim.
Pois é, afastava gente chata sem nenhum trabalho para tanto, aproveitadores não me tinham como alvo, falsos amigos não tinham espaço.
Essa coisa de agradar todo mundo, de tentar conciliar, de usar palavras mais brandas, ou de deixar passar, de brincar de Poliana, não foram funcionais não. Aliás, nem um pouco.
Daqui pra frente, é ter os dois olhos muito bem abertos e, o terceiro, o "místico", bem fechadinho. Que aqui não!
Intuição bem ativada, língua afiada e bóra lá.
Quem falar o que quiser, que se prepare para escutar o que não quer. Agora, é na base do "minha atitude depende da sua".
Para os amigos, aqueles que são e sempre foram verdadeiros, continua como sempre foi.
Pra quem está chegando agora, aperte os cintos e boa viagem. Ou, "hasta la vista, baby!"
Nem adianta rezar, que a DeMonyA tá de volta!

Todo mundo quer ser aceito, claro. Mas não me interessa ser aceita como não sou. Não vou mais me trair, me mutilar, nem exigir de mim uma coerência que não é humana. Eu não SOU coisa alguma, eu ESTOU uma porção de sentimentos, sensações, emoções, comportamentos a cada dia.
É assim que é, e pronto!

Desapegar é bom...




Fim de ano é uma época boa pra gente se livrar de tudo aquilo que não se quer mais na vida, não se usa mais... Hoje comecei a faxina pelo virtual.
Apaguei todos os perfis em redes sociais que estavam lá, só ocupando lugar no cyber espaço... Lá se foram Gazzag, que, aliás, agora é Octopop e eu nem sabia... Hi5, Tagged, Limão, Plaxo. Agenda na Web: Unyk.
Agora restou só o que uso mesmo, Orkut, Multiply, Twitter, Facebook, Myspace. MSN (que nem uso tanto assim), dois E-mails no UOL, mais um no hotmail, um no Gmail e um no Ymail. Continuo em dois ou três grupos de discussão em que, tecnicamente, participo. Aliás, tem um que administro. Hahahahahahahahaha! Igualzinho aqui...
E, claro, este blog que passa umas temporadas abandonado...
Ah! ainda tem mais dois, que eram pra ser inaugurados esse ano, mas, agora, fico feliz se conseguir começar no início do próximo... :P
E pronto! Tá mais do que bom. Já é mais do que euzinha possa dar conta.
Formspring, não fiz e nem vou fazer. Só respondo perguntas de quem eu gosto, quando e se estou com vontade. E se a pergunta tiver razão de ser... Pra que vou arrumar pra minha cabeça. Nunca gostei de dar satisfação pra ninguém. Além do que, vai ser um tal de fulano usar as respostas como "prova material" pras suas cobranças e o escambau. Nem!

A sessão de desapego continua...
Em sequência à faxina virtual, vem mais uma no PC.
E mais outras duas que nem sei por onde começar e, pra falar a verdade, tenho medo só de pensar... Dar fim em todas as tralhas que acumulei este ano, no meu quarto e no meu escritório... E, reorganizar toda a bagunça. Afe!
Acho bom euzinha começar logo, ou não acabo antes de o outro ano comecar...



Obs.: Repeti a imagem mesmo. Adoro!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

FORMAS QUE INFORMAM...



Acredito totalmente que CONHECIMENTO É PODER, INFORMAÇÃO É PODER.
Só tomei conhecimento dessas informações agora e resolvi partilhá-las, pq trata-se de um assunto sério, abominável e que precisa ter fim.

PEDOFILIA

Não bastavam as atualmente comentadas "pulseiras do sexo", há outros símbolos circulando por aí. E muito, muito perigosos.
As formas da imagem acima e das outras que seguirão por esse post são códigos identificadores. Atentem e procurem memorizá-los e lembrar deles caso os encontrem por aí. E puxem pela memória, de repente até já o viram antes circulando como adereços em alguém...
O pior é que são símbolos com uma estética agradável e que, quem não sabe do que se trata acharia de bom gosto...

Resumo:
O FBI produziu um relatório em Janeiro sobre pedofilia. Nele estão colocados uma série de símbolos usados pelos pedófilos para se identificar.
Os símbolos são sempre compostos pela união de 2 semelhantes, um dentro do outro.
A forma maior identifica o adulto, a menor a criança. A diferença de tamanho entre elas demonstra a preferência por crianças maiores ou menores.
Homens são triângulos, mulheres corações. Os símbolos são encontrados em sites, moedas, jóias (anéis, pingentes,...) entre outros objetos.
Acho os pedófilos a pior escória da humanidade, e conhecer esses símbolos para poder identificar essas pessoas é o mínimo que podemos fazer.
Ao encontrar um símbolo desses, avisar a polícia.
Os triângulos representam homens que adoram meninos (o detalhe cruel é o triângulo
mais fino, que representam homens que gostam de meninos bem pequenos);
os corações representam homens (ou mulheres) que gostam de meninas e a borboleta, aqueles que gostam de ambos.
Essas informações foram coletadas pelo FBI durantes suas vasculhadas. A idéia dos triângulos e corações concêntricos é a da figura maior envolvendo a figura menor, numa genialidade pervertida de um conceito gráfico. Existe um requinte de crueldade, pois esses seres fazem questão de se exibirem em código para outros, fazendo desses símbolos bijuterias, moedas, troféus, adesivo e o escambau. Assim se identificam e, muitas vezes, unem-se em suas atividades perversas. Pelo mundo todo há grandes redes de pedofilia, que compartilham material pela web(a nova onda é compartilhar filmagens em tempo real e "cartilhas" com as mais monstruosas práticas inimaginaveis a qualquer ser humano normal). Além de compartilhamento, eles protegem-se mutuamente e fazem intercãmbio de suas vítimas sempre que possível.
É nojentooooooooooooooo!!!!!!!!!!!




A imundice em seus detalhes sórdidos:


Símbolos e logotipos usados por pedófilos para identificar suas preferências sexuais

Este boletim aborda Crimes Contra Crianças requisitos estabelecidos contidos no documento FBI-Q-2200-005-06, HRWC CAC-VI.A.5.

Este documento aponta os pedófilos, que abusam sexualmente de crianças, bem como aquele que produzem, distribuem e comércializam material de pornografia infantil. Essas pessoas estão utilizando vários tipos de identificação, logotipos ou símbolos para reconhecer e distinguir entre si suas tendências sexuais. Para indicar especificamente o sexo preferido do pedófilo entre os membros de organizações de pedofilia.



Incentivam a utilização de designações como ‘boylover’, ‘girllover’, e ‘childlover.’ Estes símbolos foram gravados em anéis e pingentes e também foram encontrados impressos em moedas.
* BoyLover – O logotipo (BLogo) é um pequeno espiral em forma de triângulo azul rodeado por um triângulo maior, em que o pequeno triângulo representa uma criança do sexo masculino e o triangulo maior representa um adulto. Uma variação do BLogo é o Little Boy Lover logotipo (LBLogo), que também é representado por um pequeno espiral em forma de triângulo dentro de um triângulo maior, porém os cantos do LBLogo são arredondados para assemelhar-se a um rabisco de uma criança.



O logotipo GirlLover (GLogo) é um pequeno coração cercado por um coração maior, que simboliza uma relação entre um adulto do sexo masculino ou feminino e crinça do sexo feminino.



O ChildLover lembra uma borboleta e representa os abusadores que não fazem distinção de sexo.



A Logomarca de Mídia On-line Childlove Ativismo Logotipo (CLOMAL), é uma marca utilizada pelas pessoas que utilizam mídia on-line, como os blogs e websites.




O FBI fez investigações em várias páginas de internet e tem descoberto vários símbolos utilizados por pedófilos para divulgar sua atração doentia pelas crianças. Após a apreensão de um computador de um sujeito em um caso de investigação de Imagens Inocentes, na Divisão Jacksonville, a Equipe de Investigação Forense teve acesso a um símbolo pouco familiar que foi integrado em um Web site chamado ‘ATBOYS.COM, onde o "AT" 'em' ATBOYS foi identificado como sendo o símbolo BoyLover escrito da seguinte forma: TBOYS.com. Foi ainda descoberto neste site que ‘ATBOYS’ é um acrônimo para Atraídos por Pedofilia Boys. Estes símbolos também aparecem na Web sites como um dos banners de publicidade www.boylover.net.



Em outro incidente em Sacramento, o FBI foi alertado pelo Ministério de Justiça da Califórnia sobre uma estranha marcação numa moeda. A investigação concluiu que o BoyLover logotipo (BLogo), foi impresso na parte da frente da moeda, e a frase ‘Kids Love Pedos’ foi gravada na parte de trás. O aparecimento do BLogo em moedas é outro método utilizado pelos pedófilos para anunciar as suas preferências sexuais.

Símbolos de pedofilia em jóias, moedas, web sites e outros efeitos, são indicativos de métodos de anúncio utilizados predadores sexuais de crianças para promover sua causa. Os ativistas da Pedófilia advogam para a aceitação social das relações sexuais entre adultos e crianças. Estas organizações procuram descriminalizar as relações sexuais entre adultos e crianças e para legalizar a pornografia infantil com base em sua crença de que as crianças têm a capacidade de consentimento para atos sexuais. Jóias idênticas ou semelhantes e símbolos, como descrito neste boletim da inteligência devem levantar suspeita de pedofilia e possível atividade quando encontrado durante as buscas.



Os pesquisadores devem também estar atentos aos símbolos de pedofilia publicados em Web sites. Durante Exames de arquivos do computador, os investigadores devem estar conscientes dos indivíduos que tentam dissimular a pornografia infantil pela marcação com símbolos em vez dos nomes típicos sugestivos.


Espalhem essas informações o máximo que puderem. Isso pode salvar vidas e colocar atrás das grades esses criminosos.

Pra não esquecer:




Sei que os símbolos vieram dos EUA, mas, há uma certa tendência em partidários das mesmas práticas se utiliarem dos mesmos símbolos para uma identificação de grupo maior, mais coesa e uma maior abrangência em sua ação... Então, eles devem estar circulando por aqui sim, com o mesmo significado. Como aconteceu, por exemplo, com as tais "pulseiras do sexo" cuja origem da codificação partiu da Inglaterra...
Gosto de falar de assuntos mais alto astral, mas, certas coisas a gente não pode deixar que se abafem no silêncio tanto menos na ignorância só pra manter a ilusão de um mundo cor de rosa...
Eu quero um mundo melhor e por isso é que sei que é necessário dar conhecimento desses assuntos tristes...

Observação improcedente: Confesso que quando vi os símbolos pela primeira vez, logo me vieram à cabeça o logo da Gafisa e da Kibon. Sim, eu sei, as cores são diferentes e as formas também não são exatamente aquelas, o objetivo também, eu sei, mas, lembrei mesmo assim... :(